segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O Padre e a lição da inocência


A cidade fervilha. A festa começa. O querido Padre faz sua aparição anual para nos ensinar mais e mais. Esse ano, veio até mim com a lição da inocência. Mostrou-me o quanto intelectualizada estou diante da vida. O quanto racional estou diante de mim mesma. O Padre veio para me ensinar, de novo. Assim como os romeiros que voltam a cada ano repletos de fé, o querido Padre Victor vem anualmente me mostrar que o caminho pode ser mais leve e sereno. Que, para viver com alegria, não é preciso tanto conhecimento, basta um tantinho mais de inocência.


Os romeiros começaram a chegar. A Festa do Padre Victor é na terça-feira e a cidade fervilha com os preparativos. É uma época interessante, que sempre me remete à infância.

Não conseguia descobrir porque eu fazia essa relação entre a festa em homenagem ao Anjo Tutelar da cidade e a infância, já que só vim a conhecer de perto essa celebração religiosa na idade adulta, até ler um verbete sobre a inocência, no segundo volume do livro "Meditando com os Anjos", de Sônia Café.

Nele, a inocência é tida como uma qualidade renovadora, que abre a possibilidade de recomeçarmos sempre. Penso que essa qualidade pode estar também na base da fé dos romeiros.

Todo ano, os romeiros chegam. Todo ano, eles acreditam. Todo ano eles pedem. Inocentemente, fazem tudo de novo, sempre e sempre.

Essa força renovada é a mesma que permite à criança se desenvolver. Já pensou se a criança agisse como nós? Na primeira ou segunda vez que caísse, desistisse de aprender a andar? A força que faz com que a criança levante e comece a andar novamente, com a mesma vontade e coragem que antes, é a inocência.

A inocência protege para que sigamos em frente sem medo de errar, como aprendizes eternos.

O perigo é que, quanto mais intelectualizados nos tornamos, mais desprovidos de inocência ficamos. No entanto, diante da inocência, o conhecimento se desmancha. A inocência nos diz que não podemos saber tudo. Enquanto a ignorância afirma que é possível saber tudo.

Por isso, quando nos firmamos na razão para justificar nossos acertos e fracassos, estamos sendo ignorantes. Quando, do alto dos nossos títulos acadêmicos, torcemos o nariz para a inocência, comprovamos nossa ignorância.

Um romeiro repleto de fé é muito mais sábio do que um doutor descrente. Uma pessoa que se permite impregnar de inocência, celebra o que há de mais precioso em si mesma.

Por isso, nesse Padre Victor, vou pedir uma benção especial: a benção da inocência. Quero eu poder estar em sintonia com ela. Livre do julgamento do certo e do errado, do belo ou do feio, e dar um passo adiante como quem está, inocentemente, aprendendo a andar.

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