domingo, 26 de outubro de 2008

O lócus do controle


É CONTRA MIM QUE LUTO

Miguel Torga

"É contra mim que luto.
Não tenho outro inimigo.
O que penso, o que sinto, o que digo, e o que faço,
é que pede castigo e desespera à lança no meu braço".


NÃO DISCUTO

Paulo Leminski

”não discuto com o destino o que pintar eu assino”.


Os poemas exemplificam duas formas distintas de locus de controle. O locus do controle interno e o locus de controle externo. Refletir sobre isso pode nos ajudar a compreender um pouco mais nossas próprias crenças.

O locus de controle explica, de duas maneiras distintas, uma qualidade de percepção do indivíduo. Na primeira, estão aqueles que consideram que os acontecimentos de sua vida ocorrem por conta de fontes externas, ou seja, que existem outras entidades, como seres divinos, o destino e outros indivíduos que controlam as circunstâncias.

Na segunda maneira de explicar o locus de controle, estão aqueles indivíduos considerados como possuidores de crença no controle interno, os que acreditam que os fatos são oriundos do próprio sujeito, de sua própria capacidade de realização ou esforço.

Essas duas maneiras de ver o mundo parecem nascer nas crenças individuais sobre a origem das recompensas e castigos no mundo.

A pessoa, ao adotar, inconscientemente, um dos tipos de crença, leva em conta a existência de um controle, que pode ser interno ou externo, responsável por avaliar sua conduta.

No controle interno, o sujeito percebe o reforço, a avaliação de seus atos, como contingente à sua conduta ou às suas características. Assim, o resultado de suas ações, positivas ou negativas, depende exclusivamente dele.

Ao contrário, quando se percebe um reforço como não relacionado a alguma ação, mas como questão de sorte, destino, controle dos outros, de poderosos ou como não-previsível pelas forças que o rodeiam, interpreta-se como crença de controle externo.

Cada um de nós, muitas vezes influenciados pela cultura, pela religião ou pela educação, tendemos mais para um lado do que para o outro.

O que importa, o que pode fazer a diferença, em se tratando de identificar nosso tipo dominante de crença de controle, é nossa capacidade de questionar nossos valores e hábitos e reavaliá-los.

Quem tende ao locus de controle do tipo interno, pode, talvez, ter desenvolvido uma maior dose de autoconfiança. No entanto, pode ter dificuldade em aceitar situações que fogem ao seu controle.
Aquele com uma tendência de explicar o mundo por intermédio do governo, dos deuses ou da sorte, talvez devesse tomar um pouco mais a vida nas próprias mãos e, digamos, "vencer" o destino.

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