segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A Cooperativa ABAYOMI nasceu a partir do trabalho de Lena Martins, artesã nascida em São Luiz, estado do Maranhão, educadora popular, militante do movimento de mulheres negras, que na busca de um artesanato que utilizasse um mínimo de ferramentas associado a preocupação com o excesso de lixo cria uma técnica de fazer bonecas com sobras de pano sem utilizar na sua feitura cola ou costura. Em suas oficinas, cursos e vivências, promove a formação de trabalho em grupo, incentiva as relações de cooperação e generosidade, buscando fortalecer a auto-estima de negros e descentes e superar as desigualdades de gênero. (www.abayomi.com.br)

Nesse mês de novembro, um momento especial aconteceu em Três Pontas, reunindo o fazer artístico e a necessidade de estarmos atentos à diversidade étnica.

Durante uma oficina de confecção de bonecos para teatro, uma turma confeccionou bonecos na técnica africana Abayomi, com retalhos de tecido reciclados, sem cola ou costura.

Quando a primeira personagem ficou pronta, a emoção tomou conta dos participantes do curso de Extensão em Pedagogia da Arte, realizado no Unis-TP. Podia-se perceber a força da tradição na simplicidade das formas da boneca negra.

A boneca representará um dos papéis na peça de teatro que também faz parte da tradição oral afro-descentente: é a lenda de Iansã, o búfalo que era uma mulher, Oyá, a rápida. Ela vivia na floresta onde moram os caçadores.

Um dia, Ogum, que é caçador e deus da guerra, passava pela floresta e viu o búfalo virar uma linda mulher. Ele ficou apaixonado por ela. Ela era uma mulher bonita, que se vestia com muito gosto, usava uma espada e fazia raios caírem do céu. Ogum foi atrás dela e a pediu em casamento.

Esse tipo de atividade, ressalta a importância de professores entrarem em contato com tradições étnicas para que possam valorizar a diversidade cultural em suas salas de aula.

A boneca, como objeto afetivo e artístico, sempre presente no cotidiano de crianças e adultos, contribui fortemente para a formação pessoal e coletiva da sociedade. Quando associada ao teatro, transforma-se em uma categoria expressiva na formação e transformação social.

Expressões culturais e artísticas como essas abrem um canal de contato e fortalecimento das relações interpessoais, vitais meios de emancipação da coletividade.

Agradeço a oportunidade de poder colaborar na capacitação desses professores para que se tornem agentes artísticos, fortalecedores culturais e constituidores de espaços capazes de contribuir para a neutralização da segregação e da discriminação.

Tenho certeza que a vivência com a boneca Abayomi ajudará os professores a promover ações emancipatórias no campo da arte, da educação e do afeto que farão dessa, uma sociedade mais igualitária.

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