domingo, 9 de novembro de 2008

Obama: o planeta sonho será Terra


Diz o Jabor: "Obama é preto. Liberal. Culto. Com nome de muçulmano". E continua, em seu discurso afetado: "Neste mundo do 'conto-do-vigário', das finanças alavancadas, Obama é uma síntese de idéias, é a tomada do poder das conquistas cientificas, culturais e éticas da modernidade. Arnaldo exagera - sempre - mas, nesse caso, todos nós queremos exagerar. Todos queremos acreditar. Jabor arrisca prever: "Voltarão a razão e a inteligência". E completa: "Obama não é o novo. Ele é o velho. O bom e velho humanismo, a velha grandeza esquecida do mundo ocidental". Será? Preciso responder que sim.

Minha caixa de entrada do e-mail lotou com mensagens de esperança. As pessoas mais surpreendentes se manifestaram a respeito da eleição do novo presidente americano.

Artistas, intelectuais, cientistas, gente que não se deixa levar pelas aparências midiáticas dos fatos. Gente que sabe ler nas entrelinhas. Gente que ensina. Gente que forma opinião.

Pois, na minha caixa de entrada, essa gente estava respirando credulidade. Entusiasmadas, contagiadas. Querendo, torcendo. Um deles, finalizando com exclamação, disse: "Que não haja, portanto, ‘realismo histórico’ que nos impeça de sentir a emoção!" E acrescentou: "Haja o que houver, este será, ainda assim, um dos dias historicamente mais significativos no período de vida de cada um de nós que está vivo no momento. Outro, mais cauteloso, falou: "Se isso é bom eu ainda não sei, mas eu prefiro assim".

Também os blogs dos amigos estavam repletos de textos de otimismo. Mesmo os mais críticos se renderam ao fenômeno Obama. Num deles, o título da postagem do dia era: "Obama nas alturas" e trazia a ilustração que está acima. Outro, escreveu simplesmente: "Agora sim!", também com exclamação. E mais exclamação: "Oxalá seja verdade!".

No blog do Caetano, o Veloso, ele escreve que "depois de ver Jesse Jackson chorando. Chorei junto com ele". A emoção de todos com o fenômeno chega a tecer inferências inusitadas: "Quando eu vi Barack Obama pela primeira vez foi simpatia à primeira vista. É que eu achei o seu estilo muito parecido com o de Paulinho da Viola quando jovem. Aquela mesma postura elegante e serena do nosso sambista maior, aquele mesmo jeito maneiro de sorrir e de quem carrega consigo um fair-play de berço sempre pronto para ser usado quando o adversário cair em campo, enfim, a elegância em pessoa".

E eu? Eu? Estou como um amigo: "consciente, mas ainda assim emocionado". Além disso, sou negra, completamente negra e sorrio.

Não que eu queira racializar o fato, como o republicano derrotado fez em seu último discurso. Mas não posso deixar de achar bom que o país da Ku-Klux-Kla tenha um presidente negro.

Se ele vai ser bom? Não sei. Se ele vai ser justo? Não sei. Se o mundo vai ficar melhor com ele? Também não tenho idéia.

Mas nossa Terra estava precisando demais ser novamente o planeta sonho. Em nome de nossa capacidade de sonhar, exclamo: "Yes, we can", pelo menos dreams.

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