domingo, 2 de novembro de 2008

Todos os Santos


Os santos, sejam religiosos ou não, são entidades lúdicas que podem nos ajudar a resignificar nosso sistema de crenças.


Pelo calendário Cristão, hoje é Dia de Todos os Santos. O calendário é cristão, mas, para mim, a data é ecumênica.

Todos os santos, podem incluir também aqueles que não pertencem a uma crença religiosa específica. São os entes divinos da crença de cada um.

Todos nós possuímos entidades que divinizamos. Todos nós precisamos dessa instância da fé para segurar o peso do cotidiano.

Se não somos religiosos, divinizamos instituições ou até mesmo nosso próprio sistema de crenças não religiosas.

Já notaram o quanto uma pessoa cética é crente? Ela acredita, com todas as suas forças, que não acredita em nada. É até bonito de ver tamanha força e convicção. Crer é da natureza humana.

A fé comporta uma dimensão lúdica. Por isso, os santos são ótimas entidades para se crer. Sem eles, caímos na tentação de acreditar em nossas próprias crenças. E, cá entre nós, temos uma tendência a crer no que há de mais negativo na vida.

Os santos, todos os santos, sejam eles de que religião forem, podem nos permitir abandonar crenças pessoais negativas.

Por exemplo, acredito que minha vida social mineira é muito difícil. Por mais que eu tente pensar diferente, no fundo, tenho a crença do estrangeiro nas irremediáveis diferenças culturais do exílio.

Mas aí, graças à força da fé nos santos, rezo constantemente ao nosso querido Padre Victor para que me ajude a viver feliz debaixo do céu e sobre o solo de Minas.

Dessa forma, tento reverter minha crença pessoal através da crença em um poder externo. No entanto, é minha própria fé que atua, revestida ludicamente pela imagem santa.

Por isso, hoje, agradeço a todos os santos. Em especial, aos santos cristãos que conheci aqui e que muito me acolheram.

Meu Santo Padre Victor, anjo local e amigo do cotidiano. Santo Expedito, que me ajuda a combater meus equivocados paradigmas econômicos.

São Micael, recordador de que vivemos na época da alma da consciência e, por isso, tudo precisa ser permeado por nossa reflexão.

São Francisco que me ajuda a esperar o melhor de mim e a ver o melhor dos outros.

São Rafael, que segura minha mão, como fez com Tobias, e me ensina o segredo da autocura.

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