sábado, 25 de abril de 2009

O naturalista amador


Possibilitar a relação saudável da criança com o meio ambiente é um dos caminhos mais seguros para o surgimento de adultos comprometidos com a sustentabilidade da vida no nosso pequeno planeta. Existem programas de TV interessantes sobre o assunto como Zoboomafoo, na Cultura e Selvagem ao Extremo, na Rede Record. Além disso, a literatura está repleta de bons títulos sobre plantas, bichos, solo, água e ar. Mas nada disso adianta se a criança não tiver um contato direto com os elementos da natureza e bons exemplos de adultos por perto, que deem uma visão da biosfera como uma parceira de vida e não como "fonte de recursos".

O menininho de quatro anos sai correndo em disparada perguntando: onde está meu milípede?

O milípede em questão é o colar de sementes negras da mãe que ora é sucuri ora é minhoca e, em outras vezes, é o milípede, aquele herbívoro que se enrola em forma de espiral e possui muitas muitas pernas.

Noutra ocasião, a mãe pergunta: que está fazendo, meu filho? O pequeno responde, enquanto esvazia a terra de uma porção de canos e os enche com cuspe, fazendo uma massinha: experiências, mãe, experiências, repete com uma expressão compenetrada.

Outro dia, o menino passa pela mãe, arrastando-se pelo chão e exclamando: o alligator está passando, cuidado. A mãe estranha o termo estrangeiro e sem querer aprofundar, mas já aprofundando, pergunta: qual a diferença entre o crocodilo e o alligator? Mãe, responde o pequeno, em tom professoral: o crocodilo e o jacaré são da família do alligator.

Enquanto almoça, a babá lê para o menino um livro sobre o solo, onde um tatu e um sapo comentam: "O solo é composto de partículas da rocha-mãe, água, ar e matéria orgânica produzida pela decomposição dos resíduos vegetais e animais. É formado pela ação de fatores ambientais como o clima, microorganismos, relevo, rocha-mãe e o tempo".

Mais tarde, coberto de lama, em um buraco no jardim, o menino-tatu grita: Pai, estou tomando banho de rocha-mãe.

E assim segue o mini-naturalista amador: vai pelo jardim atrás de rastros brilhantes de lesmas, pega a escada pela ver de perto a teia da aranha tecelã entre os troncos das bananeiras, faz um cobertor de folhas e diz, com prazer: estou coberto de matéria orgânica.

Essa mistura engraçada entre conhecimento científico, experiência sensória e fantasia pode fazer surgir nas crianças um interesse genuíno pela natureza como parceira de vida.

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