terça-feira, 9 de junho de 2009

Metanóia


Estou constantemente dividida entre minha tendência em escapar da vida adulta, em negligenciar ou adiar meus compromissos e a sobrecarga do "querer abraçar o mundo" das responsabilidades excessivas. Baseado na Psicologia Analítica, estou tentando seguir algumas recomendações, entre elas:"Procurar manter uma equilibração dinâmica das atitudes que valorize o meio-termo, pois toda falta e excesso fazem mal ao nosso funcionamento, tanto corporal quanto psíquico. Ter cuidado em não assumir uma organização demasiadamente unilateral, e que não atente as influências reguladoras do inconscientes que podem ser conhecidas mediante: a auto-observação, a autocrítica e a análise das produções do inconsciente (como sonhos, fantasias e etc). Isso requer uma atitude de estar aberto às possibilidades de agir-existir, e também ao processo contínuo de adaptação às diversas situações e estágios que a vida nos apresenta, para tal, torna-se necessário romper com os condicionamentos, que ao mesmo tempo que facilitam nossa vida, nos aprisionam".


Ai que meda! A palavra do título me dá meda. Assim mesmo, cacofônico e feminino, como uma grande meta-nóia.

Pelo novo acordo ortográfico, metanóia nem teria mais acento, mas estou tão assustada que nem ousei retirá-lo. Que meda! Que meta - nóia.

Assustou? Não? Tem certeza? Vou de novo, soletrando: me-e-ta-a-nói-ia. Sustô agora? Inda não? Socorro! Eu sim.

Mas garanto que vai assustar quando eu disser o que é metanóia. Na origem, do grego, significa "arrependimento", mas pode ser interpretado de muitas outras maneiras como:

conversão, mudança de ideia, de direção, de atitudes. Em resumo, tudo aquilo que a gente não quer fazer, mesmo sabendo que precisa: a maior metanóia.

Segundo Jung, a metanóia é uma transformação radical que acontece, mais ou menos, no
meio da nossa vida. Para o psiquiatra suico, na infância e adolescência, o ser humano procura se adaptar à realidade por meio do desenvolvimento da consciência. Por volta dos quarenta anos, acontece a metanóia, um forte período de mudanças, revisões, questiona-mentos. Procura-se, desta forma, buscar o verdadeiro sentido da existência.

Isso tudo para que, na segunda metade da vida, abre aspas: "a consciência tenha possibilidade de travar esse 'acordo' psíquico em que o sujeito tende a se voltar para o seu interior, onde tem que voltar sua existência para a realização de seu Self".

É exatamente isso que me assusta: já estou passando bastantinho da "metade da vida" e ainda não sinto que entrei na metanóia.

Sinto-me, quase sempre, como uma criança, no máximo, um adolescente, ainda tentando me adaptar à realidade, com dificuldade de adequação à vida adulta. Isso me parece um sinal bem interessante, usando uma expressão de Jung, um "indincium". Ou seja um indicativo de que está passando da hora de uma re-visão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário