quarta-feira, 22 de julho de 2009

Empenha-te ao máximo


Estou cheinha de afazeres. Muitos, mesmo. Sempre organizo meu tempo de férias em relação às tarefas. Faço até cronograma de atividades. Quando chega o final do período, na volta às aulas, reclamo: "poxa, não deu tempo para nada". Já estava me preparando para repetir a ensaiada cena, quando um papel em cima da minha mesa colocou as coisas em seus devidos lugares. Falta tempo? Mas será que eu me empenho ao máximo? Ao "máximo" mesmo?



Estou querendo começar a escrever essa coluna, mas uma frase escrita em giz de cera vermelho num papel que está em cima da minha mesa não deixa.

Quero falar de outra coisa e meus olhos caem na frase: "Empenha-te ao máximo". Ela está se impondo, mas não quero escrever sobre isso, pois se tiver de escrever, vou ter que encarar. Encarar o teclado do computador, sob a supervisão da frase, perguntando para mim: você tem se empenhado ao máximo?

Aí, vou ser obrigada a responder: "quase sempre". E estarei mentinho para um teclado de plástico e um pedaço de papel com dizeres em giz. Por isso, quero evitar o assunto. Só assim não terei de encarar a coisa de frente. Que coisa? Ora leitor, aquilo de me empenhar ou não ao máximo.

Decidi, vamos falar então sobre outra coisa: os tempos. Tempo 1: que frio, né? Pois é, está bem frio. Será que amanhã vai estar frio assim? Tempo 2: Que correria, não estou tendo tempo para nada. As férias nem bem começaram já estão acabando. Minha lista de tarefas para as férias é enorme. O que será preciso fazer para que o tempo renda um pouquinho mais? Êpa! O teclado está querendo responder. Deixo não.

EMPENHA-TE AO MÁXIMO.

Desaforado. Escreveu sozinho e em caixa alta ainda por cima. Daqui a pouco vão inventar teclado cronista. Só faltava...

Tá bom, confesso, não me empenho ao máximo. Raras são as vezes que posso deitar a cabeça no travesseiro, lá pelas duas da manhã, e dizer: me empenhei ao máximo hoje.

Pronto. Assumi. Satisfeito?

Tá certo que é de madrugada, que estou um pouco sonolenta, mas parece que estou vendo um ligeiro sorriso no papel com a frase implicante. Papel ri?

O fato é esse mesmo. Reclamo, reclamo, mas o desperdício de tempo é forte. Fico enrolando, dando-me licenças poéticas, mas não escrevo a poesia.

De que adianta? Estou enganando quem? Depois, dá-lhe desculpas. Para os outros, culpo o tempo 2, nossa não dá tempo para nada. Para mim, justifico com o tempo 1: Tá frio, tá frio, deixa eu dormir mais cedo, deixa acordar mais tarde, são férias...

Férias? Pergunta-me o teclado. E a lista de afazeres para as férias? Insiste ele, se recusando a continuar a escrever enquanto eu não tomar vergonha e agir.

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