segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Sorri, sorry


Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador


Deve ser mais ou menos assim: a coisa está ruim, sorria. A coisa está pior, sorria. Sorria por fora, mesmo que por dentro o motivo não tenha.

Parece hipocrisia? E é. Claro. Digamos, uma hipocrisia saudável. É como o princípio da homeopatia: semelhante cura semelhante. O sorriso exterior pode ajudar a fazer surgir o sorriso interior. Tomara.

Estou falando isso, porque fiquei a semana pensando nos questionamentos da crônica anterior "As Horas", onde eu me perguntava o que fazer para dar conta das aflições-crônicas- sem-remédio. Sorry, mas foi a melhor resposta que consegui imaginar. É mais ou menos como aquela coisa de "fazer o que gosta" ou "gostar do que faz". Se temos que fazer, melhor esforçar um pouquinho para gostar, não é mesmo?

Tem também o provérbio popular que encaixa bem nesse caso: "se não tem remédio, remediado está". É o senso comum das nossas avós aconselhando o sorriso, mesmo que amarelo, diante do inevitável.

Sorry, se decepcionei, mas realmente, encarar diariamente o inadequado inevitável não é para qualquer um. Difícil encontrar uma solução. A gente vive na ilusão de poder fazer a vida melhorar sempre, ninguém gosta de pensar que o indesejável pode ser durável. No entanto, mesmo sabendo que "não há mal que sempre dure" alguns duram mais do que a gente e temos de nos acostumar.

Sabe aquela música do Charles Chaplin, está acima, tem um trecho que diz: "Sorri vai mentindo a tua dor". Parece triste, mas pensa bem, se o mal não tem remédio, não é melhor sorrir do que ficar com aquela "cara de comeu e não gostou"? Se a tal expressão de indigestão resolvesse, tudo bem ficar com cara ruim, mas acredito que só atrai mais infelicidade.

Semana passada fiquei pensando nas habilidades especiais que temos de desenvolver para viver "as horas" indesejáveis que todos enfrentamos na difícil arte de viver.

Pois bem, uma habilidade que parece essencial é rir de si mesmo e do inevitável. Parece simples e talvez seja até simplista, no entanto, vale tentar sorrir.

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