quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Esclarecimentos

Pais e professores ficam aflitos diante da difícil tarefa de educar.   Como corrigir sem desqualificar? Como  promover o aprimoramento  sem evidenciar erros e falhas? Essas são algumas das perguntas que normalmente me fazem em palestras e cursos. A primeira coisa que respondo é que a tarefa é difícil e inabitual. Depois, afirmo que precisamos tratar com respeito nossas próprias falhas, pois dessa forma estaremos treinando para respeitar as falhas alheias. Lembro também que a perfeição não existe e que mais importante do que o resultado final é a consciência do processo. Por fim, procuro mostrar que a  ação pode ser errada ou falha, não o indivíduo.



Ontem eu estava conversando com um leitor sobre a crônica da semana passada que chamava atenção para a importância de tratar com respeito nossas falhas e, por consequência, as dos outros.

É muito difícil quebrar paradigmas. Normalmente, quando o fazemos, começamos por um movimento pendular: temos a tendência de sair de um extremo ao outro.

No caso de rever nossa postura diante da perfeição e do erro também é assim. Ao percebermos o quanto é importante para o processo de desenvolvimento e  melhoria da estima do indivíduo aprender a respeitar nossas falhas , ficamos com a impressão que não será possível o aprimoramento, pois não teremos a devida correção dos erros.

Claro que a correção dos erros deve ser feita, claro que erro é erro e que, por isso, deve ser evitado, reparado, superado. Porém, isso não implica em desqualificação, em sentir-se inferior diante da ideia, que é sempre perfeita, pois não é real.

Se há o erro ele deve ser reconhecido, porém dentro de uma perspectiva de processo, ou seja, quem erra deve perceber o contexto da ação equivocada. Deve ter a consciência de que o erro é em relação a determinado objetivo a ser alcançado, definido com clareza e anteriormente. As regras do jogo têm de estar claras, mesmo que sejam as regras para o grande jogo da vida.

O erro está na ação, não no indivíduo. Quem erra não é "o" errado, é apenas o autor de uma ação errada. Fazemos muitas ações erradas diariamente, mas se não aprendermos desde cedo a separar emocionalmente a ação do autor, ficaremos sempre com a sensação de que não somos bons, de que somos errados.

E quando passamos a acreditar que "não somos bons", muita coisa pode mudar na nossa vida, podemos passar a acreditar que  não somos suficientemente capazes de fazer o bem, e talvez, por isso, optar por fazer o mal.

Quando deixamos de nos considerar errados, maus, incapazes e passamos a aprender a respeitar nossas falhas, quando nos acostumamos a olhar nossos erros dentro de uma situação definida, de um objetivo claro, podemos pensar: sou bom, no entanto, ainda estou errando nesse contexto.

A diferença parece sutil, e é, porém faz uma enorme diferença, principalmente se, quem estiver sendo "acusado" de errado for alguém que ainda não tem condições de discernir sozinho entre autor e ação, como no caso de uma criança.

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