quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tratar com respeito nossos erros


Tratar com respeito nossos próprios erros não é tarefa fácil, mas é condição imprescindível para que possamos romper paradigmas indesejáveis como a crença na existência da perfeição. A perfeição é uma ideia, ela não existe de fato. Ela é uma ideia que ajuda muito pouco ao desenvolvimento humano, causa baixa autoestima, imobiliza a vontade, provoca separatividade e preconceito. A perfeição sempre aponta para aquilo que não somos e todos estamos carecas de saber que já passou da hora de aceitarmos, incondicionalmente, a nós mesmos como somos aqui e agora.


Nossa grande e ancestral culpa, desde os idos da maçã, prejudica demais nossa vida e, em especial, nossa pedagogia.

Quando alerto uma aluna, normalmente uma professora em processo de especialização, que ela deve dar um valor especial a suas falhas e, desse modo, começar a exercitar-se para tratar com respeito seus próprios erros e por extensão, os de seus alunos, elas se surpreendem.

Entendo qual é a surpresa e conheço sua origem: a falsa ilusão da perfeição. Vivemos aprisionados a ideias antigas e muito do que sofremos hoje está relacionado a conceitos imprecisos cunhados na antiguidade, quando o grau de desenvolvimento da humanidade era outro.

Não sou muito platônica, conceitualmente falando, mas gosto de imaginar que ele tinha razão no sentido de que, aqui, aqui, nessa terrinha onde pisamos, não há perfeição, só sombras daquilo que é o "perfeito". Ou seja, de fato, fatídico, o perfeito não existe. Se há outro lugar onde as coisas são certinhas, não sei, nunca vi.

O que vejo todos os dias são crianças sendo massacradas por que "erram", são pessoas carregando peso por décadas por seus atos impensados.

São essas coisas que devem ser reformuladas. O conceito de erro paralisa, desmotiva, desqualifica, culpabiliza. Já a mesma falha dentro da perspectiva de "processo", vivifica, funciona como degrau, como patamar para a próxima

etapa, como vontade de superação.

Para que essa mudança de paradigma aconteça é urgente aprender a tratar com respeito - com respeito - nossas falhas. Depois que nos acostumarmos a essa prática, conseguiremos ver os erros como parte do processo. E processo é desenvolvimento, vida, ação infinita, composta de etapas claras e metas possíveis.

O processo é o lugar do possível e viva o possível. Se escolho atingir o perfeito, nunca chegarei lá. Se almejo uma etapa possível, em breve terei atingido minha meta, e saberei que o caminho do desenvolvimento continua sempre e que esse caminhar é que dá sentido à existência.

Para que possamos combater pensamentos ancestrais tão arraigados, como o da maçã e o da perfeição inatingível, temos que valorizar e respeitar cada pequena falha.

Temos que aprender a tratar com respeito nossos atos impensados, nossos defeitos, nossos deslizes. Temos de aprender a errar.

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