sábado, 7 de novembro de 2009

Meus amuletos


Um amuleto é definido como um "pequeno objeto que, desde a mais remota antiguidade, alguém traz consigo ou guarda, por acreditar em seu poder mágico de afastar desgraças ou malefícios". Confesso que uso amuletos. São minhas muletas, mas não acredito que o poder esteja no objeto. Para mim, amuletos ou talismãs são espécies de despertadores, servem para nos fazer lembrar que o poder está em nós.


Vou relatar aqui uma prática vista, muitas vezes, de forma preconceituosa: o uso de amuletos e talismãs. Espero que minha fala possa ajudar a olharmos de forma diferente para aqueles que, como eu, ainda não conseguiram desapegar-se de rituais externos na busca de desenvolver qualidades internas.


O leitor já está cansado de saber: sou uma pessoa complicada. No entanto, o que o paciente leitor nem imagina é que além de complicada sou supersticiosa. Reluto um pouco em dizer: "supersticiosa", mas mesmo que eu queira mascarar esse sentimento, dando-lhe um nome mais pomposo e justificável, no fundo o que pratico é mesmo superstição. 

O tipo de superstição que devo  confessar é a adoção de amuletos e talismãs. Tenho alguns e os utilizo diariamente.


Para mim, um amuleto não é um objeto que pode proteger-me  de algum malefício, como definem os dicionários. Os adoto de forma diferente, como  um despertador. 


Explico: quando olho para um amuleto ou talismã, procuro que ele desperte em mim, por exemplo, a confiança. A confiança é minha, o leitor sabe, mas nesses tempos de incertezas, às vezes ela se esconde em um cantinho da alma, fica invisível. 


Então, olho para aquele anel de prata e pedra cor-de-rosa que comprei especialmente, no início do ano passado, como um despertador de confiança, e lembro: a confiança está em mim. Desse jeito, o medo enfraquece e a situação parece ficar melhor.


Tem também um tercinho, o mesmo há muitos anos, carrego comigo sempre. É o meu despertador de fé. Está escrito que a fé remove montanhas. Dizem até que a fé é a qualidade anímica mais importante que existe, que a fé é a base para uma vida saudável.


Sei disso, até posso entender isso perfeitamente, mas, vira e mexe, preciso de um despertador de fé. Nessas horas, em que percebo a descrença querendo tomar volume, seguro firme meu tercinho na mão, e percorro cada pedrinha declamando as orações de acordo com a tradição.Quando termino, a fé volta a aparecer e a ocupar os espaços que antes estavam dominados pelo medo. Tem vezes que até escuto uma voz carinhosa dizendo: Homem de pouca fé, por que duvidaste? 


Sei que isso pode causar dependência psicológica e que, apesar de querer e tentar, ainda não consegui passar desse estágio e desenvolver sentimentos de superação de forma independente do externo, mas acredito que já é um grande avanço em relação à crença de que o poder está no objeto fora de mim.

Um comentário:

  1. Olá.
    Legal você coloca essas coisas, é um caminho para você se reconhecer como senhora de suas crenças e confianças. Por isso li o seu blog. Beijos

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