sábado, 14 de novembro de 2009

A panela de pressão


Pressão todos passamos, a vida é cheinha dela. Podemos dizer que somos como panelas de pressão. No entanto, alguns de nós são mais explícitos, reclamam, se debatem, fazem barulho como  o apito estridente da válvula da panela chiando no fogão.  Outros, porém, têm a válvula entupida, passam a vida quietinhos, todo mundo acha que está tudo bem e de repente  explodem, ou pior, implodem, no silêncio de uma doença grave. Tanto um quanto o outro tem de regular sua escuta interior para perceber a necessidade de desentupir a válvula ou abaixar o fogo.


Uma imagem muito usada para descrever um rompante emocional em pessoas calmas é a da panela de pressão.
O quietinho-bonzinho vai aguentando, aguentando, até que um dia explode, feito panela de pressão entupida.


Quando a panela não explode, pode acontecer pior ainda, o quietinho-bonzinho implode: AVCs, enfartes, cânceres, depressões.


Mas não é exatamente desse aspecto, panela entupida, que eu quero falar. Aproveitando a metáfora, gostaria de refletir sobre o bom desempenho de uma panela de pressão.


Vejamos: a panela de pressão é  bem vedada por uma borracha na tampa que impede o vapor escapar. Ele vai se acumulando dentro da panela, até atingir um limite. Para que não aconteça uma explosão, existe a válvula. A pressão máxima dentro da panela consegue empurrar o pino da válvula para cima, assim o excesso de vapor escapa. Desta maneira a pressão se mantém controlada  e sabemos disso pois escutamos um barulhinho do apito.


Muito bem, voltemos à nossa metáfora: qual seria o barulho que  nossa panela faria para evitar explosões? Incômodos, dores, acidentes, doenças. O apito vai aumentando num crescente. Se não damos atenção aos pequenos incômodos, muitas vezes eles se transformam em dores. Se também as dores não nos acordam, podem vir os acidentes ou doenças. Se mesmo assim, continuamos surdos ao apito indicativo de pressão, aparecem as doenças graves ou fatais.


A pessoa com padrão quietinho-bonzinho vem de fábrica com a válvula entupida. Não chia, não incomoda, "não ocupa espaço", como diz minha sogra, mas de repente explode.


Os que tem válvula, como eu, fazem barulho, sabe-se sempre quando estão fervendo, mas se não abaixarem um pouco o fogo e, na introspecção de si mesmo, perceberem os sinais da alta fervura podem acabar entupindo suas válvulas e - pimba! - lá vamos nós correr os mesmos riscos dos quietinhos-bonzinhos: espelhar feijão para todo lado. 

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