segunda-feira, 17 de maio de 2010

A artesã cósmica da imanência

Operações específicas de consistência - o que é isso? Sobriedade, simplicidade para dar consistência ao conjunto vago, captando as forças cósmicas. Só há imaginação na técnica. O artesão cósmico: o artista que coloca em relação materiais. Cuidado com a reterritorialização do louco, da criança e do ruído. Relação com a terra, com o povo molecularizado. Os poderes, as capturas se estabelecem sobre o povo e sobre a terra (territórios): máquinas de reproduzir. Populações atômicas ou moleculares operando a captura sobre o povo: micropolíticas. É possível suscitar um povo por vir? (devir - livre, não livre para comprar). Deleuze, 1997.


Entendeu? Não? Muito menos eu...


Estou estudando Gilles Deleuze em um grupo de estudo na UFJF como preparação para o doutorado. Atravesso páginas e páginas do livro de Roberto Machado (capa ao lado) sem entender uma só ideinha. Para ajudar, tenho ido ao original, pois muitas vezes os comentadores complicam mais que o autor. Acha que melhorou? Acertou se disse nem um pouquinho. Coloco a referência aqui, quem sabe algum leitor que domine o assunto pode me dar uma ajudinha: Machado, Roberto. Deleuze, a arte e a Filosofia. Ed. Zahar, São Paulo 2009.


Impresso e publicado originalmente  em 24 de abril de 2010.



O subtítulo dessa crônica poderia ser: divagações de uma dona de casa de avental amassando pão.

O que seria  a "artesã cósmica da imanência"? Artesão cósmico é uma imagem criada por um filósofo francês que viveu no século passado entre 1925 e 1995, ou seja, ontem mesmo. Um pensador contemporâneo e festejado.

Pois bem, a questão da artesã cósmica da imanência é tão complicada que se eu disser ao querido leitor que não tenho a mínima idéia do que se trata o leitor é capaz de ficar chateado comigo.

Porém, correrei o risco: não tenho a mínima idéia do que se trata. Falei. É assim comigo agora: leio, leio, leio e não entendo nada, páginas e páginas de um léxico inexpugnável.

O engraçado é que muitos leitores aqui do Correio partilham comigo que, quase sempre, gostam muito do que escrevo, mas que, na maioria das vezes, não entendem bulufas.

É duro, eu sei. Comigo e Deleuze também é assim, um caso de amor incompreensível. Estava escutando um professor falar que muitas pessoas ao lerem o filósofo da imanência, apesar de não entenderem nada, não conseguem parar de ler e que isso se dá por causa da forma rítmica com a qual ele escreve. Pode ser.

Alguns leitores partilham comigo que adoram ler minhas crônicas e que, apesar de não entenderem nada, continuam a fazê-lo toda semana. Agradeço.

Uma imagem me acompanha, enquanto leio e releio Deleuze, sem entender as palavras e tampouco sentir o "ritmo" com o qual justificava o professor: um avental. Sim, isso mesmo. Imagino que, enquanto leio, uso um avental de dona de casa, de preferência sujo de farinha integral e caldo de espinafre. 

Quando faço isso, me sinto melhor. Meu "onde" de dona do lar permite que eu olhe para aquilo que o moço escreve e pense: coitado. Depois dê as costas e vá amassar o pão.

Pois é, querido leitor, pode fazer o mesmo comigo, eu entendo e ainda empresto o meu avental.

Nenhum comentário:

Postar um comentário