segunda-feira, 17 de maio de 2010

Lei da impermanência

Tudo está em constante transformação...

A transformação é constante em tudo... 

O medo da transformação é o medo de crescer...

O medo de crescer é o medo da perda...

E o medo da perda é a ilusão da posse.
   


Eis uma máxima vinda do budismo: Nada é permanente, a não ser a própria impermanência das coisas. Essa é a essência da lei da impermanência.


Uma ironia interessante, já que vivemos em constante batalha para nos estabilizarmos. Queremos permanecer no emprego, no casamento, conquistar casa própria, atingir o éden prometido onde tudo será fácil e eterno.


Mas os velhos e sábios budistas afirmam: "A impermanência é lei inexorável e é em conseqüência dela que tudo evolui, recriando-se a cada segundo. É na impermanência das coisas que está a certeza do progresso a que todos estamos sujeitos".



Então por que me sinto tão mal diante da possibilidade de mudança? Por que tanto medo, tanta fantasia negativa?

Mesmo sabendo que minha realidade atual não está mais adequada para mim, tenho medo de mudar.  Diante da possibilidade real de mudanças, até coisas que eu não estava suportando mais, comecei a revalorizar, a senti-las como necessárias. Que coisa mais sem sentido! Será autosabotagem? Será medo de crescimento? Afinal, não há crescimento sem mudança.

É a lei universal da impermanência que gera nosso crescimento, colocando-nos em movimento, exigindo que saiamos do  comodismo e naveguemos no fluxo da vida. Mas isso gera medo, e incerteza, e dor.

Na impermanência, ninguém consegue ficar parado, ainda que se acorrente voluntariamente à aparência efêmera das coisas, como eu tento de todas as formas.

Se tudo é impermanente, surge a questão: porque desejamos tanto a estabilidade? Quando desejamos permanecer e  perpetuar, temos apego. Apego e desejo, duas questões fortes  para o budismo. Entendê-las em conjunção com a impermanência é chave importante para o crescimento.

Devido ao desejo e ao apego não queremos pensar que tudo aquilo que gozamos ou  possuímos é impermanente. No entanto, se pensarmos que o  impermanente é o nosso próprio desejo e o apego, a coisa toda muda de figura.

Se meu apego e desejo são impermanentes, posso me tornar mais livre diante de suas imposições e assim viver com mais qualidade aqui e agora. Se meu apego e desejo são impermanentes, posso repensar seus valores e não deixar que me dominem.


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