segunda-feira, 17 de maio de 2010

A vida na lei do melhor esforço

Um sistema operacional é um organismo muito inteligente, criado por pessoas inteligentíssimas. É composto de muitos softwares, por sua vez criados por outros gênios informáticos. No entanto,  mesmo esses potenciais científicos com suas invenções maravilhosas não têm a pretenção de serem perfeitos, assumem que estão dentro da Lei do Melhor Esforço, ou seja, fazem o melhor que podem, mas sem garantia de que o melhor possível seja o ideal sem erros. Se eles, que são super-hiper, assumem suas imperfeições, por que nós, pobres mortais, não seguimos o exemplo?

O caro leitor deve ter reparado que ando estudando disciplinas exatas como contabilidade e informática. Porém, o caro leitor também deve estar notando que transformei alguns conceitos dessas  disciplinas em questões tão subjetivas que os matemáticos e exatistas de plantão devem estar arrepiados.

Pois lá vou eu de novo: após falar de passivos emocionais e modo beta, hoje vou abordar a "lei do melhor esforço" como adotada pela informática.

Tenho gostado muito de informática. Ela tem ares de bam-bam-bam, mas pode ser uma ótima professora de humildade e nos ajudar a quebrar paradigmas arraigados como o da "perfeição".

É o que acontece com o nosso exemplo a "lei do melhor esforço". Em linhas gerais, o melhor esforço é um serviço prestado sem nenhuma garantia. Tipo: você clica, dá errado, você clica de novo e, pode ser, que dê certo, mas não é garantido.

Quem tem um computador conectado a web sabe do que estou falando. Quantas vezes tentamos baixar um arquivo e dá errado? Centenas e centenas. No entanto, não conheço

ninguém que desistiu de navegar na internet, seja a lazer, estudo ou trabalho, por causa dessas inúmeras e constantes falhas. Você conhece? Duvido.

Pois te falo que com a vida, não deveria, mas é diferente. Quantas pessoas deixaram de fazer coisas ou de conviver com pessoas por causa das falhas que apresentam? É só pensar nos inúmeros namoros e casamentos desfeitos e nas amizades que não florescem.


É por que não vivemos segundo a lei do melhor esforço, ou seja, levando em consideração que não há garantias, mas que se vai tentando e tentando e uma hora dá certo outra hora dá errado e, mesmo assim, continuamos a tentar, a viver e a navegar, para usar um termo do e-universo.

A questão é que no universo virtual tudo é descoberta é possibilidade e na vida, não deveria, mas é diferente. Na grande maioria das vezes, 
pensamos que sabemos tudo da vida e do outro, que tudo deve ser perfeito, que as pessoas estão prontinhas, acabadas, basta ligar na tomada que funcionam perfeitamente.

Vivemos presos ao nosso equivocado paradigma de perfeição, obra de um pensamento sem nexo com o real, construído de forma   artificial, em laboratórios e sessões de poesia e filosofia. Nesse pensar abstrato, temos mais consideração e compreensão com as falhas das máquinas do que com as humanas, sejam as nossas sejam as dos outros. Por isso, aprendamos com a informática: vamos imaginar que todos estão fazendo o melhor esforço.

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