quarta-feira, 9 de junho de 2010

Quero tomar radicalina

Como não inventaram ainda um medicamento que me faça ser mais radical em minhas atitudes e enfrentamentos, estou me socorrendo na literatura autoajuda. A literatura autoajuda tem o mesmo princípio dos medicamentos genéricos, trata todos os males e todos os problemas como se todas as pessoas fossem iguais e bastasse seguir a receita para a cura acontecer. Assim como na medicina, isso dificilmente dá certo, mas é um bom alívio na hora da crise, a tal injeção na testa. Uma coisa que encontrei e que me aliviou um pouco foi o conceito de assertivo. A assertividade parece ser um bom exercício para começar a tomar atitudes positivas mais radicais. Segundo li, ser assertivo é deixar de ser perfeito, é aceitar e expor as próprias falhas, as emoções e opiniões cruas e não "politicamente corretas", o lado humano, muitas vezes incoerente, mas real.



Não tem. Procurei em toda parte, no Brasil e no exterior, e não tem. Estou precisando urgente e não tem.Por isso, peço, peço não, imploro aos farmacêuticos de plantão: inventem a radicalina.


Não sou de tomar remédios, com exceção das crises de enxaqueca, pois nessas horas sou capaz de tomar até injeção no olho. Mas isso não importa, o fato é que não sou de tomar remédios, nem fazer uso de drogas, sejam elas emagrecedoras ou estimulantes ou calmantes ou baratantes. Não uso.


Só que, se inventassem a radicalina, eu tomaria. E digo mais, seria até rata de laboratório para um remédio assim. A experimental.


Vou explicar tim-tim por tim-tim para que o paciente leitor compreenda e perceba que não é uma simples ode ao medicamentoso, é uma questão de vida ou morte. 


Pois bem, vamos aos fatos, narrarei apenas um, porque o acho central. Antes, porém uma introdução: para variar, estou metida até o pescoço em uma enrascada. Para variar, abracei mais tarefas do que posso suportar,aliás, do que qualquer ser vivente suportaria. 


Em casos assim, o que fazer? Eliminar tarefas e compromissos pela ordem inversa das prioridades, concordará comigo o querido e paciente leitor. Foi o que resolvi fazer. Voltemos aos fatos.


Sentei em frente ao computador, abri meu e-mail e enderecei uma mensagem para cancelar um compromisso. Parabéns, disse a mim mesma cheia de orgulho. Comecei a escrever e, quando terminei, além de ter reconfirmado o compromisso, ainda me ofereci para fazer mais três tarefas que não estavam programadas. Simplesmente isso. Ao invés de radicalmente escrever que não poderia aceitar as incumbências, me enrasquei ainda mais.


É ou não é caso para radicalina? Preciso tomar uma atitude radical e dizer não. Não obrigada. Obrigada, passo a vez. Dispenso, estou comprometida. Quem sabe mais tarde? Agora não, uma outra vez. Deixemos para outro momento.


Aprender a dizer não radicalmente é uma arte da qual não sou praticante. Confesso que dá vontade de apelar para uma injeção que me faça ser mais radical em minhas atitudes.


Impresso e publicado originalmente em 29 de maio de 2010.

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