sábado, 5 de fevereiro de 2011

A potência do bom encontro

Hoje, um senhor muito antigo chegou perto de mim e disse: Vou lhe dar um presente, acabo de lê-lo, "Eu vejo, eu ouço, eu faço, e fazendo aprendo". Peço licença para parodiá-lo: Eu vejo, eu ouço, eu faço, e fazendo vivo. Ao lado,  a arte-manual potencializadora de vida da família Dumont.


Acabo de chegar. Tá bom, eu sei, estou atrasada. São quase onze horas da noite de quinta-feira e agora é que começo a escrever a crônica da semana.

No entanto, justifico, foi daquelas semaninhas iradas como, não sei se ainda falam, os jovens. 

Teve: reunião de boas-vindas aos novos alunos  na universidade (sim sim, passei, prezado leitor, agora sou oficialmente doutoranda em Educação pela  Universidade Federal de Juiz de Fora, uma beleza). Documentação de matrícula. Empregada não veio.  Ministrando oficina para arte-educadores no belo e bagunçado e ativo Espaço Mascarenhas. Essas coisas confundem um pouco a pobre e cinquentenária cronista. Quando vi, já eram vinte e três horas de quinta e a crônica não havia acontecido.

Aqui estou, egressa de um bom encontro, ainda sentindo sua potência. Acredito fortemente que o que vale na vida viva são os bons encontros. Um bom encontro tem a capacidade de nos potencializar. De um bom encontro, saímos adrenados, como, acho, ainda dizem alguns jovens.

Vou descrever meu bom encontro, mesmo sabendo que descrevê-lo não é a mesma coisa que vivê-lo, mas dá para o querido leitor ter uma noção do porque estou usando "irado" e "adrenado", mesmo não sendo tão jovem ou chegada a umas gírias do tipo.

Hoje, conversando com os alunos enquanto ministrava a oficina, comentei que estava dividida, pois ao mesmo tempo em que nosso trabalho acontecia, um outro evento estava programado no Café Filosófico da cidade: Demóstenes Vargas, o bordadeiro do rio São Francisco, da família Dumont, estaria apresentando seu processo artístico.

Foi quando o primeiro aluno falou: então vamos. Outro perguntou: agora? Emendei:  costuramos lá. Em minutos pegamos nossas coisas, e desembarcamos com agulhas, linhas e panos no café do Espaço Mezcla em Juiz de Fora.

Uma festa começou. Enquanto se falava da importância das artes manuais, as fazíamos. A riqueza e a intensidade do encontro estava tecida. Quando os demais arte-educadores ficaram sabendo que havíamos saído do Centro Cultural para participar do Café Filosófico, resolveram se juntar a nós. Ao final, junto da arte-manual falada, pensada e "fazida" estavam a música e a performance teatral num imbricamento artístico potencializante.

Impresso e publicado originalmente em 20 de novembro de 2010.




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