quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Corpoescritatecido

A partir da instalação da urdidura no corpo ou da invenção do corpo como urdidura, os tecidos-escritos pelos participantes, em uma oficina da esquizodrama, são tramados. No corpo-urdidura, a tecelagem se faz coletivamente, fluxo de corpo tecendo corpo, tramando os vestígios da palavra na pele. Fundição de corpos inventando corpo outro. O esquizodrama é um dispositivo de afetar e ser afetado, um laboratório onde as sensações afloram e se deslocam.


Um...Vertigem. A sala pequena, a leitura intensa. Fragmentos. A fala contínua, abrupta. A atenção voltada para cada palavra dita, lida ou escapada. A experiência faz dizeres, falares, pensares. Feito laboratório, experiência, afeto, percepto. Leituras. Marcas. Provocações.

Vozes de papel. Vozes no papel. Vozes atravessadas pelo papel. Mastigação. Som. Música. Grito. Ruídos do corpo. Sentidos no tempo. Fora dele. No liso do acontecimento. Marcas. Solidão.

A tensão do oculto, do insabido, da leitura subcutânea. Subterrâneos. Superfícies. Extensões. Permanente exercício. Constante investigação inconclusa. 
Movimento repetido na arte do 
acaso. Laboratório-experimentação. Que inventa a 
leitura? Quem se inventa na leitura? O que se inventa com a leitura? 

Dois...Vertigem. A sala pequena, a escrita intensa. Fragmentos. A fala contida, suspensa. A atenção voltada para corpo do
outro em movimento. Suor. Cheiro. Pulso. A experiência faz lembrança. Troca. Gestos. 
Afecção. Dualidão.  

Os dizeres distribuídos em rabiscos pelo pano. Olhares, notas, rasuras no tecido, marcas, rabiscos incompreensíveis. Esforço para escrever. Esforço para pensar. Esforço sujeito ao fracasso.  Sujeito? Que sujeito se produz na escrita? Que sujeito produz a escrita? Que sujeita a escrita? Marcas. Panos. Fibras. A pele como tecido vivo. Inscrição.
Superfícies de papel e tecido.Registros de vozes, dizeres, pensares, sentires, fazeres. Relatórios de afetação. Descobertas. Recobertas.Encobertas. Revestidas. Vestidas. Múltiplos...

Vertigem. A sala pequena, o tecer intenso. Fragmentos. Os tecidos marcados. Rasgados. O
corpo-urdidura. Tramado. A escrita tecida no corpo. Cheiro. 
Pulso.Suor. Respiração.Movimento. Tecelagem-palavra. A urdidura tensiona. Põe em questão. Que escritos se tecem no corpo? Que tecidos se escrevem com o corpo? Que corpos se escrevem no tecido? Que é tecido?

A experiência acontece. Laboratório. Os corpos tecidos. Outros-mesmos. Outro. Inquietos. Atravessados, urdidos, tramados, lidos, escritos. Marcas do papel no pano do corpo. Multidão. Na experiência-laboratório, o acontecimento-leitura-escrita tecido no corpo. Tecido vivo no subterrâneo da pele. No profundo da pele, a escrita, o lido. Na superfície da pele. Na pele. Falas, dizeres, pensares, sentires tecidos: fazeres.

Impresso e publicado em 17 de setembro de 2011.


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