terça-feira, 8 de maio de 2012

A ementa

O que toca esta disciplina de modo mais intenso é a questão: como pensar o contemporâneo? Desdobramentos: Como estar à altura das vertigens de nosso tempo? Como existir nas fronteiras, nas margens, nas bordas? Como constituir modos outros de existir que se embaracem nos emaranhados das bordas? Como problematizar o contemporâneo na sua própria contemporaneidade? Pensando educação como cultivo de si, ao modo de Nietzsche, a educação se coloca como problematizadora do contemporâneo. Uma problematização que se coloca na imanência do imanente. A questão da verdade, do conhecimento e da cognição. Como problematizar a educação junto às filosofias da diferença? Essa é parte da ementa de uma das disciplinas que faço no doutorado. Seus "comos" ultrapassam o estudo, vazam para a vida-escrita-vivida e chegam ao espaço diagramado desse jornal.



Essa crônica é também minha lição de casa. Não que eu queira firmar um estilo ou experimentar um fazer. Não. Essa crônica é minha lição de casa por dois distintos, mas permeados motivos: tempo e incapacidade.


Tempo, pois ainda não abri a clareira do tempo estudantil em mim. Preciso habitar essa clareira, mas por hora estou emaranhada na densa floresta do desbravamento sobrevivente, rumo incerto, tateante, curioso, nômade.


Essa crônica é tentativa de abrir uma pequena clareira na densa mata. Por isso, compor a lição daqui de dentro produz sentido, sentido inventado, delirado, querido.


Na outra dobra dessa crônica facão, a incapacidade. Li a ementa: perguntas-perguntadas: como pensar? como estar? como existir? como constituir? como problematizar? É isso que toca a disciplina. É isso que toca a disciplina? É isso que toca. Toca aqui, mas também na mata densa. No espaço clareira a devir. Como pensar?
Como existir? Como? O facão é o como? Será ele a mata? Como-clareira? Não há como saber sem habitar e percorrer de modo nômade. 


A incapacidade, outra linha na navete da crônica é também motor e água.  Ela promove, curiosifica, espreita. A incapacidade, logo ela tão aquém. Como constituir? Letras trocadas. Experimentos incapazes de traduzir o que é. Incapazes de dizer por si o como. Letras incertas, não pensadas, jorradas entre as teclas por um corpo dormente e impossível.



Essa crônica é febre, delírio. Lição de casa? Lição? Casa? Espaço de escrita em casa. Como constituir? Como existir?

A problematização que se coloca na imanência do imanente no possível da incapacidade, do resto do tempo que sobra para a lição de casa na crônica.

Escrever aqui, como bicho-movimento na espreita da comida. Como? Permanecer na crônica, no espaço diagramado e daqui, teclada, turbular lição e crônica. Como engendrar existir, constituir, pensar, problematizar? Escrever? Como? 


Impresso e publicado em 2 de abril de 2011.


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