quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Um pequeno livro bordado

Bordando o corpo de Anelice: experimentações sobre a escrita do ti. 2012, 100 páginas. 

À venda em versão impresa e ebook: 

O livro relata exercícios de escrita coletiva que pretendem descolar a centralidade da função de autoria, abrindo-a para uma escrita do fora, no encontro do si e do outro. Escrever, nessa perspectiva, consistiria em uma experiência de transformação da própria escrita e, consequentemente, do que se pensa e do que se é. Junto às filosofias da diferença, exercita o dar língua aos movimentos invisíveis dos afetos que vazam dos corpos-escrita em movimento. Treino incessante para fazer vibrar a escrita acadêmica rente ao campo intensivo da pesquisa que cartografa o corpo-fazedor nas artes manuais. O relato acontece como um bordado, na superfície de uma outra escrita, por cima do ensaio-tese de Anelice Ribetto (2009) , enfrentando os desafios de experimentar a pesquisa em educação, na agonia de um fazer que se mostra estranhado e atento ao pensar da pesquisa e da escrita acadêmica. Dessa forma, o livro se converte, ele mesmo, em um exercício afásico e rizomático de escrita, falado na língua do outro, em um encontro intempestivo, acontecimento disparador de efeitos múltiplos. Efeitos que, talvez, possam causar instabilidade aos conhecimentos que já são previstos, esperados. 


Férias? Bobagem... Descanso? Bobagem... Sabe aqueles dias em que tudo está de pernas para o ar: empregada doméstica faltante, visitas, telefone que parece um call center, crianças em final de férias, tarefas por fazer para todo o lado?

Pois foi em um dia assim - assim, não, ainda pior do que minha capacidade de cronista permite ilustrar, pois foi em um dia muito pior que ele surgiu. 

Estava tudo caotizado: prazos esgotados para o cumprimento de tarefas da universidade. Eu totalmente desacostumada das tarefas do lar, o que as torna bem mais complexas... enfim, em meio a tudo isso, recebi um email que dizia: "25 de julho - Dia do Escritor". Não sou do tipo que liga para essas datas comerciais, o leitor sabe, mas pensando agora, só pode ter sido um surto desses que o corpo inventa para tirar a mente de uma realidade difícil de suportar: uma bolha-fuga. Foi em um desvario assim que editei o pequeno  livro. 

Dá para acreditar? Escrever um livro e tê-lo editado nas próprias mãos, até bem pouco tempo, era um sonho para um escritor. Agora, isso se tornou tão simples que, qualquer pessoa,  com menos de trinta reais, publica seu livro e o distribui em menos  de duas horas, mesmo em dia de empregada faltante, crianças de férias, roupa para lavar e tese de doutorado para escrever. Não é incrível? É, pelo menos eu achei. Achei, fiz, editei e convido o leitor a folheá-lo, agora mesmo. 

"Bordando o corpo de Anelice: experimentações sobre a escrita do ti" é meu relatório de pesquisa do ano passado que, para testar o site de publicação de livros, resolvi editar em formato pocket.

Ontem, quando o livrinho chegou, achei o máximo. Comecei a lê-lo e não é que a potência do formato livro me pegou? O texto, de repente, ganhou corpo, ficou gostoso e até mereceu ocupar as páginas desse Correio para divulgá-lo.

Vou ficar feliz se o prezado leitor for até a loja virtual dar uma olhadinha nele. Acho que vale. E vou ficar ainda mais feliz, se o leitor, se inspirar no meu exemplo, escrever o próprio livro e publicá-lo.

Impresso e publicado originalmente em 4 de agosto de 2012.





2 comentários:

  1. Gracias... Osvaldo, é um relatório de pesquisa, mas tem certo charme.

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